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#099 - Ouvidos abertos, ser antes de ter e nada importa
Enviado por Lucca Moreira | 28 de Março de 2025

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Tempo de leitura: 6 minutos
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O que vamos explorar hoje?
1 reflexão sobre a ideia de escuta ativa e a importância de praticá-la;
1 história de Andy Warhol sobre como devemos interpretar acontecimentos em nossas vidas;
1 processo prático de Sahil Bloom para focarmos em mudar o interno antes do externo;
1 indicação de um ótimo filme para o fim de semana.
Sabedoria é escutar de ouvidos abertos
Somente escutar não basta para adquirir sabedoria, precisamos escutar sem o nosso EGO, sem a nossa noção de EU.
Terça-feira fui ao meu médico/terapeuta e acabamos ficando umas 3 horas conversando sobre a vida, religião e outros assuntos viajados.
Durante a conversa, eu percebi que estava realmente escutando, no sentido de que, naquela hora, enquanto ele falava coisas que me chocavam às vezes, eu não julgava, não refletia, não tentava necessariamente concordar – apenas internalizava.
E enquanto isso acontecia, me tornei autoconsciente (perdendo então a escuta ativa, rs) e entendi que quase nunca fazemos isso. Realmente escutar.
O que aprendemos é escutar enquanto fazemos um julgamento de valor das coisas e, consequentemente, criamos retóricas para concordar ou discordar da informação.
O problema é que fazer esse processo, principalmente com temas profundos, mata nossa capacidade de realmente refletir... De buscar a verdadeira sabedoria do que está sendo falado.
Então eu escutei e escutei, levando em consideração toda a realidade do que estava sendo passado. O bom é que, depois de internalizado, o que foi falado perpetua por muito tempo, inclusive inconscientemente, nos permitindo refletir como deveríamos.
Algumas coisas que ele me disse eu ainda não sei o que acho sobre, algumas já consegui refletir e discordar, assim como outras, refletir e concordar. Esse deveria ser sempre o processo.
E como fazer isso?
Infelizmente, não existe um processo para treinar a escuta ativa – é uma prática que desenvolvemos buscando a verdadeira essência da informação. O que consigo trazer de mais prático é:
Devemos tentar entrar na conversa deixando nossos preconceitos, nossos julgamentos e nossas antigas noções de lado.
Essa autoconsciência ajuda a combater nossa vontade natural de fazer julgamentos de valor e abre espaço para realmente escutarmos.
"Nada do que eu disser neste dia me ensinará algo. Portanto, se eu quiser aprender, devo fazê-lo ouvindo."

E daí?
Em meados da década de 1950, Andy Warhol teve seu coração partido. Por um longo tempo depois disso, a ideia de amar alguém que não sentisse o mesmo o deixava infeliz. Então, em junho de 1956, Warhol escreveu:
“Eu estava caminhando em Bali e vi um grupo de pessoas em uma clareira se divertindo, fazendo um baile porque alguém de quem gostavam muito tinha acabado de morrer. E me dei conta de que tudo era apenas a maneira como você decidia pensar a respeito.
Às vezes, as pessoas deixam que os mesmos problemas as tornem infelizes por anos, quando deveriam simplesmente dizer: 'E daí?'. Essa é uma das minhas coisas favoritas a dizer. E daí? E daí?”.
Ele ou ela não se sente da mesma forma - E daí?
Você não ganhou a medalha de ouro - E daí?
Amanhã será a maior entrevista da sua vida - Então? E daí?
“Não sei como consegui passar por todos esses anos antes de aprender a fazer esse truque”, continuou Warhol.
Eu falei sobre o conceito de fazer por Amor em contraste com fazer por temer e conecta exatamente com essa ideia.
Enquanto nossa vida é olhada através da lente do medo, não nos permitimos tomar a decisão correta. Então siga o que você quer fazer e saiba que, no final, a resposta pode ser sempre "E DAÍ?".
"A única coisa que temos de ter medo é o próprio medo."

Ter, Fazer e Ser
Sahil Bloom trouxe, em uma de suas newsletters, um framework incrível para inverter a ordem de fatores que geralmente usamos para definir nossa felicidade.
Geralmente, o ser humano trabalha no framework Ter, Fazer e Ser, onde:
Eu preciso TER Y
Aí eu consigo FAZER X
Para SER Z
Um exemplo clássico desse framework: eu preciso ter dinheiro, para eu fazer as coisas que gosto, para ser feliz.
O problema que eu vejo nesse framework, que eu já usei muito inclusive, é que o TER precisa vir depois do SER, porque sem SER fica muito difícil atingir o nível de maestria para TER.
Portanto, o novo framework é:
Eu preciso SER Z
Aí eu consigo FAZER X
Para TER Y
Dessa forma, você começa no principal, o SER. Sem ele, não é possível sustentar o FAZER e, consequentemente, receber os espólios daquilo.
Primeiro você transforma a si mesmo e depois o seu redor. Primeiro você entende quem é, para depois entender o que quer.
Usando a frase que o Sahil Bloom mais gosta, e que eu amo também:
"O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"

1 Filme - Rede de Intrigas
Onde assistir: Prime
Nota IMDB: 8.1
Em um mundo onde a audiência vale mais do que a verdade, Rede de Intrigas expõe a brutal realidade da mídia televisiva. Howard Beale (Peter Finch), um âncora veterano, perde o controle ao vivo após ser demitido, mas sua explosão de raiva se torna um fenômeno de audiência. Aproveitando o caos, a emissora transforma seu colapso emocional em um espetáculo sensacionalista.
Eu gosto muito desse filme porque traz uma reflexão muito legal sobre o poder das massas, a superficialidade do mundo e a ideia de entreter. Qualidade incrível apesar de ser antigo e elenca grande parte dos problemas das redes sociais categoricamente.

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Lucca Moreira,
Co-Founder Insight Espresso
