- Insight Espresso
- Posts
- #090 - Remédios tratam, palavras curam
#090 - Remédios tratam, palavras curam
Enviado por Lucca Moreira | 25 de Fevereiro de 2025


Escute a Insight clicando na sua plataforma: Spotify , Youtube e Amazon Music.
Tempo de leitura: 6 minutos
Recebeu de algum amigo? Se inscreva clicando aqui.
O que vamos explorar hoje?
Uma reflexão sobre remédios e a verdadeira cura;
A importância de buscarmos o silêncio em épocas tão tumultuosas;
Uma metodologia de Bill Gates para desconectar e se reencontrar;
Antes de começarmos o texto, temos uma indicação pra fazer.
A Insight de hoje surgiu a partir de uma troca de ideia com nosso amigo Luiz Sequeira.
Ele é médico cardiologista e um escritor incrível. Ele acabou de lançar seu primeiro livro: Remédios tratam, palavras curam.
Nas suas palavras:
“Vivenciando uma vida dentro dos hospitais pude passar por algumas situações que me fizeram questionar o meu propósito e o que eu vim fazer neste mundo.
Depois de várias conversas e muitos aprendizados com todas as pessoas que passaram por mim, reuni em forma de texto tudo que aprendi ao longo desses anos. Foi preciso me distanciar para eu aprender a me reconectar comigo mesmo.
Por vezes, é preciso se perder para que a gente se encontre. E é exatamente a proposta deste livro. Desejo que no meio dessa correria que você chama de vida, você se reencontre.”
O livro é incrível e traz profundas reflexões através de pequenas histórias. Garanta sua edição tocando aqui.
A busca errada para atingir os valores corretos
"Um comprimido para acordar e outro para dormir."
A realidade de tantas pessoas no mundo pode ser resumida nessa frase. E cada um, se perguntado, terá seus motivos pessoais para estar vivendo assim.
São as pressões sociais, problemas pessoais, necessidade de produzir, ansiedade, tristeza ou apatia. Cada motivo tem sua história. Problemas na infância, no relacionamento, no trabalho.
E, para todos, o problema parece singular. Mas se pararmos para pensar, esses desafios fazem parte da humanidade há milhares de anos. Não é à toa que tiramos ensinamentos valiosos de textos tão antigos quanto a nossa própria existência.
A grande diferença entre o passado e o agora não está nos problemas, mas na facilidade de resolvê-los.
Ao contrário do que nossos ancestrais precisavam enfrentar, hoje a vida está repleta de pílulas mágicas. Remédios que prometem resolver tudo, que colocam a produtividade, o corpo perfeito e o equilíbrio ideal a apenas uma cápsula de distância.
Mas será que essas soluções realmente curam? Ou apenas inibem os sintomas do problema real?
Queremos resolver nossa vida, mas não queremos passar pela dor de enxergar nossos problemas.
Queremos ser saudáveis, mas não queremos estressar e exercitar o nosso corpo.
Queremos ser produtivos, mas não queremos aprender a ser produtivos.
E, nesse caminho, nos anestesiamos. Buscamos abafar o estresse, a ansiedade e a tristeza com remédios e dopamina imediata.
Com o tempo, parece que tudo se resume a um comprimido para dormir e outro para acordar. Mas essa solução não dura para sempre.
Falando pela minha experiência, eu vivia doente e tomava remédios constantemente porque tentava resolver apenas o problema superficial: minha sinusite. Por uma década, inibi os sintomas e deixei os problemas reais crescerem.
Não queria enfrentar o que precisava para realmente me tornar saudável—minha alimentação, meus vícios, minha ansiedade.
Foi quando decidi tratar a causa e não os sintomas que comecei a melhorar. E desde então, por mais demorado e doloroso que tenha sido, nunca mais abandonei esse caminho.

O silêncio que cura, o tédio que reconecta
Dentre as várias mudanças que fiz, uma se destacou como essencial para a saúde mental: desconectar-se do mundo ao redor.
Com os celulares, não fazemos nada sem estímulos. Vamos dormir, levamos o celular. Acordamos, pegamos o celular. Vamos ao banheiro... levamos o celular.
Por mais incrível que seja a tecnologia e a vida online, ela também nos faz muito mal.
A calma é o remédio da mente. E, hoje, buscar a calma se tornou uma das coisas mais difíceis.
Sabendo dessa dificuldade—principalmente porque o trabalho exige proximidade com o mundo digital—quero compartilhar uma prática que Bill Gates implementou e que pode nos ajudar a trazer um pouco mais de tranquilidade para o dia a dia.
Na verdade, essa prática foi até uma prescrição médica do Luiz: pelo menos uma vez por mês, praticar "o dia pensativo".

O dia pensativo
O conceito do Dia Pensativo é uma versão mais prática da Semana do Pensamento, popularizada por Bill Gates na década de 1980.
Gates se isolava em um local remoto, desligava a comunicação e passava uma semana lendo e refletindo. Esse tempo permitia que ele se afastasse das demandas diárias e focasse no panorama geral da sua vida e dos seus negócios.
Em outras palavras, era um ritual para criar espaço mental.
Se você, assim como eu, não pode se dar ao luxo de passar uma semana inteira isolado, pode adaptar essa prática de forma mais viável.
Escolha um dia por mês e reserve algumas horas para se afastar das demandas cotidianas:
Separe-se de seus ambientes habituais (mental ou fisicamente). O ideal é estar em um espaço inspirador, como uma casa na natureza ou uma cafeteria tranquila.
Leve um diário, uma caneta e uma mente aberta. Nada de dispositivos eletrônicos.
Desligue o celular. Corte o fluxo constante de estímulos. Isso é fundamental.
O objetivo é passar esse tempo pensando e escrevendo. Criar um espaço livre para se distanciar, abrir a mente e refletir com clareza.
Comece com um bloco de duas horas e vá aumentando se sentir que o processo faz sentido para você.
Se a ideia de praticar isso te assustou, ótimo! Isso só prova o quanto você precisa tentar. Se pareceu simples demais, experimente e depois me conte como foi.
Em vez de tentarmos resolver nossa vida da forma mais fácil, vamos encarar o difícil.
"Um momento de dor leva a uma vida de glória, lembre-se disso."
— Filme, O Invencível (2014)

O que você achou da newsletter de hoje? |
Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas. |
Até a próxima,
Lucca Moreira,
Co-Founder Insight Espresso