#013 - A importância de se contradizer

A importância de se contradizer

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Tempo de leitura: 5 minutos

O que vamos explorar hoje?

  • A dificuldade de mudar de opinião sobre algo;

  • O que tive que fazer para mudar um hábito ruim;

  • A força que nossas palavras têm sobre nosso comportamento.

A incapacidade de mudar de opinião…

“Qual é o fenômeno humano que mais te surpreendeu nos seus estudos?

Eu acho que é a incapacidade das pessoas de mudarem de opinião depois de estarem ancoradas em uma posição.” - Gad Saad

Essa semana, estava escutando um podcast do Gad Saad no Joe Rogan. Gad é psicólogo, historiador, marketeiro, professor, escritor, e muito mais. É uma pessoa que têm muito para compartilhar.

Em determinado momento, eles começaram a discutir sobre psicologia evolutiva e chegaram à essa resposta que ele deu em outro show.

Estava no carro e passei o resto do caminho pensando sobre isso. É uma frase muito poderosa que explica diversos níveis do ser humano. Além disso, é algo presente em todos nós.

Não gostamos de nos contradizer, e por isso, somos resistentes à mudança. Aceitar que mudamos de opinião sobre algo exige a humildade de reconhecer que estávamos equivocados antes.

Esse ano, parei de beber bebida alcoólica. Daqui a 1 semana, farão seis meses e a maior dificuldade que tive foi a mudança de opinião.

Para parar, eu precisava acreditar que não era mais uma pessoa que bebia, o que gerou um grande desconforto por um tempo. No caso dos vícios, há também a questão física, mas o mais difícil foi aceitar que "eu não sou uma pessoa que bebe".

Repetir isso para mim mesmo me ajudou a sair das "caixinhas" nas quais me coloquei durante a vida, aceitando que não acreditava mais no que me levou a entrar nessas caixinhas lá atrás. Minha opinião mudou e, portanto, aquela caixa já não fazia mais sentido.

O problema é que aceitar isso me colocava na posição de me contradizer, especialmente com as pessoas ao meu redor.

Precisava dizer a essas pessoas que mudei de ideia, que aquilo que eu defendia já não condizia mais com quem eu era. E isso pesa muito!

Esse momento com os outros é a hora em que você é cobrado, quando sua vontade cresce e a resistência se torna mais forte.

Eu tenho certeza que não quero isso?

É nesse momento que um amigo diz:

"Equilíbrio é tudo. Trabalho e malho a semana inteira para tomar uma no fim de semana. Existe coisa melhor que uma cerveja gelada após uma semana pesada?"

No primeiro mês, suando e olhando para a cerveja, eu pensava: "Que argumento perfeito, faz total sentido. Por que mesmo que eu não quero fazer isso também?"

Você tem que encontrar a força para dizer a si mesmo:

"Você não acredita mais nisso. Seu equilíbrio não envolve beber e sair para o bar. Você não é mais essa pessoa." 

A ideia é se enganar até começar a acreditar de verdade. Quando você realmente muda de opinião, por repetição, tudo fica mais fácil. Agora, sair dessa nova opinião é que será difícil.

No começo, é estranho. Sentimos que algo está errado porque estamos constantemente nos contradizendo. Porém, passa. No meu caso, depois do terceiro mês, minha verdade se tornou a de uma pessoa que não bebe, o "chato".

Portanto, quebrar isso seria me contradizer, e ninguém quer fazer isso. Ou seja, a resistência à mudança é alta até acreditarmos que mudamos. Depois, a resistência é em retornar ao nosso antigo eu.

A força das nossas palavras…

Parece bobo, mas se você já tentou parar um hábito ruim e não conseguiu, provavelmente dizia a si mesmo:

"Eu não estou fazendo X AGORA, hoje não quero X, estou tentando parar X..."

Isso, no fundo, não muda sua verdade, sua posição. É algo de curto prazo. Não lutar para mudar sua posição significa que sua opinião também não vai mudar, e por isso, se falhar, não dói, porque sua opinião era a mesma.

Por outro lado, adote a nova posição: "Eu não sou a pessoa que faz X." 

Nesse caso as falhas começam a doer (o que pode acontecer, não é esse o ponto). Você vai se sentir mal porque realmente mudou sua posição e opinião. Está ancorado em outra verdade.

No ano passado, passei meses falando para mim mesmo: "Vou tentar parar de beber..."

O que aconteceu? Falhei em grande estilo.

Este ano, mudei a narrativa. Coloquei-me na posição de "eu não bebo" e fiz questão de dizer a todos. Da mesma forma que não queremos nos contradizer antes, agora eu também não quero.

O desfecho? Funcionou!

Na frase "eu não sou/eu não faço isso", saímos de todas as caixinhas em que nos colocamos durante a vida. Estabelecemos uma nova posição conosco e com os outros.

Essa simples frase nos diz que estamos comprometidos com a mudança de posição, que não é algo passageiro. Esse é o novo você, sua nova posição e sua nova opinião. A força que isso te traz para mudar é absurda.

E isso não quer dizer que fazer aquilo de tempos em tempos eventualmente nos faz estar errados ou sermos fracos. Nada disso. O ponto é que acreditar AGORA que é algo duradouro na sua vida é o passo mais importante para trocarmos nossa posição e ela se tornar nossa nova verdade.

“A maior decepção que os homens sofrem é com suas próprias opiniões.”

- Leonardo da Vinci

Até a próxima,

Lucca Moreira,

Co-Founder Insight Espresso

PS: Eu falei de bebida aqui porque é o que vivi. O conceito se aplica a tudo que envolve mudança de opinião e nossa ancoragem.

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