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#089 - Ter o que merecemos, a nossa versão aliada e reclamações

Enviado por Lucca Moreira | 21 de Fevereiro de 2025

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Tempo de leitura: 6 minutos

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O que vamos explorar hoje?

  • 1 frase de James Clear que mostra uma regra escondida na ideia de “ter o que merecemos”;

  • 1 pergunta de Alice Gregory para evitarmos vieses e emoções na nossa tomada de decisão;

  • 1 ideia original nossa para entendermos que reclamamos muitas vezes do que nós mesmos pedimos na vida;

  • 1 indicação de um ótimo filme para o fim de semana.

Ter o que merecemos

“As pessoas frequentemente recebem o que merecem, mas não parece, porque a regra tácita é que você só merece se tiver (1) a coragem de tentar, (2) a coragem de pedir e (3) a disposição de tentar novamente quando não der certo da primeira vez.”

James Clear

Ter o que merecemos sempre acontece, ter o que gostaríamos de merecer, não. Tudo porque existe uma cláusula em letras miúdas no contrato que pressupõe que, para merecer, precisamos ter:

  • Coragem para tentar.

  • Cara de pau para pedir.

  • Determinação para tentar novamente quando não der certo da primeira vez.

Queremos merecer muito, mas fazemos por merecer? O que vejo — e o que já fiz demais — é me esconder atrás de desculpas para explicar o não atingimento do mérito.

Muitas vezes culpamos nossos pais, nossa condição financeira e até nossa natureza. Porém, como James Clear demonstra, usar essas desculpas vai nos levar a ter o que merecemos, sem dúvida, só não o que gostaríamos de merecer.

Deixe as desculpas de lado, foque no que precisa ser feito para "ter o que merece" e o tempo não te falhará.

Com quem devemos nos aliar, a nossa versão tomando as decisões ou a nossa versão que é afetada por elas?

Esse conceito eu vi em um texto da Alice Gregory no New Yorker sobre L.A. Paul. Achei genial e é uma ótima pergunta para nos fazermos quando estamos tomando decisões.

O princípio do hábito negativo é se aliar à versão que está tomando a decisão, porque ela geralmente é a versão que não vai sofrer com as consequências.

Estava escutando um podcast de Chris Willianson com Kyle Forgeard, fundador do Nelk Boys, e chegou um momento em que começaram a falar de festas. A resposta unânime para a pergunta "Qual é a melhor parte de uma noite com amigos?" foi: o pré-rolê.

Eu concordo e assino embaixo. A melhor parte é o pré porque estamos na antecipação, nada aconteceu ainda, estamos começando a ficar tontos e a noite é uma criança.

No pré, a versão tomadora de decisão está com alta expectativa... "Hoje vai ser um daqueles rolês." E com essa mentalidade, ela vai tomando uma série de decisões sem nem pensar no dia seguinte.

Mas o dia seguinte sempre chega, e com ele, a ansiedade, a ressaca moral, a ressaca física e o arrependimento de ter exagerado na noite anterior.

Por outro lado, se tomarmos a decisão pensando na versão que será afetada por essas escolhas, evitamos muitos dos vieses por estar emocionado naquele momento, pensando na noite "épica" que nos aguarda.

E usei o exemplo de festas, mas, na minha visão, isso se aplica a qualquer decisão. Sair do calor do momento é importante, e essa é uma ótima forma de fazê-lo.

Como Daniel Kahneman expõe brilhantemente em seu livro Rápido e Devagar, somos preguiçosos para tomar decisões e, por causa disso, usamos vieses, preconceitos e emoções para gastar menos energia.

Pense na versão que será afetada pela decisão presente e, naturalmente, começamos a enxergar o longo prazo de forma mais atrativa e prazerosa.

Reclamar sobre o que queremos ter

Ontem, estava trocando uma ideia com meu barbeiro e ele me disse que tinha dormido muito mal. Por coincidência, eu também.

Aí começamos a conversar sobre os motivos pelos quais estávamos nos sentindo assim. Ele acreditava que foi porque vendeu a moto xodó dele... No meu caso, foi por estar entrando em um mundo totalmente novo de criação de conteúdo orgânico.

Enquanto falava dos desafios, dos medos e da dificuldade que é acertar esse modelo, por um milésimo de segundo parei e pensei: "Que problema legal de se ter."

E isso traz a reflexão de hoje:

Quantas vezes na nossa vida reclamamos de coisas que rezamos para ter e sonhamos em conquistar?

  • A casa que você desejava se torna a casa que você reclama que é pequena demais.

  • O carro pelo qual você estava obcecado se torna o carro que você mal pode esperar para trocar.

  • As férias pelas quais você rezou se tornam as férias pelas quais você se estressa.

  • O anel de noivado que fazia seus olhos brilharem se torna o anel que você precisa atualizar por causa de suas imperfeições.

  • A coisa pela qual você ansiava se torna a coisa que você mal pode esperar para melhorar.

É uma armadilha! Esse tipo de pensamento sempre leva à insatisfação, causada exclusivamente por nós mesmos.

Às vezes, você está literalmente vivendo suas orações. Lembre-se disso.

Onde assistir: Netflix

Nota IMDB: 7.7

Quatro professores decidem testar uma teoria curiosa: manter um nível constante de álcool no sangue pode melhorar suas vidas. No início, tudo parece leve e libertador, mas logo eles percebem que brincar com os próprios limites tem consequências imprevisíveis.

Druk é um filme provocativo que questiona os efeitos do excesso e da busca por sentido na vida. Uma reflexão poderosa sobre escapismo, autodescoberta e os riscos de tentar preencher o vazio com soluções temporárias.

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Até a próxima,

Lucca Moreira,

Co-Founder Insight Espresso