#041 - O Véu de Maya

O Véu de Māyā

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Tempo de leitura: 6 minutos

O que vamos explorar hoje?

  • Conceito do Véu de Maya e a Ilusão que vivemos;

  • Diferentes meios para se desprender dessa ilusão;

  • O ponto mais positivo de ser tolerante e ampliar a visão sobre religiões.

A deusa da Ilusão

“O véu de Maya, tecido de tempo e espaço, é espesso, mas pode ser perfurado por aquele que sabe que tudo é meramente um fenômeno da vontade.”

- Arthur Schopenhauer

Descobri o conceito do "véu de Maya" aos 15 anos de idade, em uma aula de filosofia, e ele nunca saiu da minha cabeça.

É um conceito hindu, porém, eu cheguei nele pela interpretação de Arthur Schopenhauer. Hoje, vou tentar explicar o conceito e trazer meu entendimento dele.

Para começar, precisamos falar sobre Maya. No sânscrito, Māyā significa "aquilo que não é" ou, em outras palavras, "ilusão."

Em algumas correntes da teologia hindu, Maya é personificada como uma deusa, esposa de Brahmā, o deus criador do universo.

Brahmā, ao decidir criar o mundo, precisava de um poder capaz de manifestar a matéria e a forma do universo, e esse poder era Māyā. Ela é a energia criativa (Shakti) que permite que Brahmā transforme o potencial em realidade, o invisível no visível.

A deusa Māyā, usando seu poder, tece o tecido do universo, criando o tempo, o espaço e todas as formas de vida. Ela dá forma à matéria inerte e traz à existência o mundo que conhecemos.

No entanto, como personificação da ilusão, ela também encobre a verdadeira natureza de Brahman (a realidade última) com o véu da dualidade e da multiplicidade.

Isso faz com que os seres criados por Brahmā percebam o mundo como separado e distinto do divino, mantendo-os presos na roda do mundo físico.

Diferentes meios para o mesmo fim…

Na minha interpretação, Maya dividiu nossa realidade para conseguirmos existir nela, e, em parte, para que busquemos ir além, alcançando a essência e o espiritual.

Ela é, sim, responsável pelo véu que recai sobre todos nós, escondendo a verdadeira essência e unicidade do mundo, mas, ao mesmo tempo, oferece oportunidades de superar essa ilusão.

No fundo, filósofos têm buscado isso por milhares de anos: ultrapassar a ilusão.

Platão, por exemplo, no seu mito da caverna, usou outras palavras para passar a mesma mensagem. Tudo o que estamos vivendo são, na verdade, sombras da realidade, e a única forma de enxergarmos a verdade é saindo da caverna.

Immanuel Kant, quando expõe o conceito de fenômeno e noúmeno, oferecia uma interpretação mais negativa do conceito do véu, afirmando que vivemos no mundo dos fenômenos, enquanto a verdadeira natureza das coisas (o noúmeno) é inacessível para nós.

No Novo Testamento, é o conceito de "mundo" frequentemente usado para descrever o sistema de valores e desejos mundanos que desviam os seres humanos da verdade divina.

"Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele." (1 João 2:15)

E eu poderia citar mais centenas de exemplos em TODAS as religiões e filosofias...

São formas diferentes de chegar ao mesmo ponto, igualmente importantes para conseguirmos nos desprender da ilusão.

Uma forma para se desprender da ilusão

O ponto final de tudo isso, sobre o qual quero que você saia daqui refletindo, é o seguinte: toda filosofia e religião está tentando chegar ao mesmo lugar; só as histórias e interpretações que são diferentes.

E se todas possuem o mesmo objetivo, cabe realmente a nós tentarmos provar que o nosso meio é o certo?

Ou melhor, que existe apenas uma forma de se desprender dessa ilusão?

Estou cada vez mais convicto de que não, o que me leva também a ter um maior apreço por todas as religiões, e não somente por uma.

A missa e a meditação estão buscando a mesma coisa. A quaresma e o ramadã também.

Ao invés de nos fecharmos na intolerância e limitarmos nossa visão para uma única fonte de conhecimento, estou te provocando a abrir sua visão e enxergar o todo, porque nisso você só tem a ganhar.

No hinduísmo, Maya é tanto a criadora do véu quanto o guia espiritual para te libertar dessa ilusão. A busca pela sabedoria e a prática de atividades espirituais são os princípios pelos quais Maya nos permite atingir a essência do universo.

Ou seja, dentro desses dois princípios, os meios pouco importam; no entanto, a busca sempre se faz necessária. E enquanto o ser humano não entender a conectividade de tudo, vamos continuar nos matando pelo caminho "certo."

Tolerância e sabedoria

Entenda o caminho que faz sentido para você, siga-o com máxima intenção e pare de achar que ele é o único caminho para atingir o plano espiritual.

A intolerância é a maneira mais fácil de nos afastarmos da sabedoria e portanto de ultrapassarmos o Véu de Maya.

A ignorância caminha de mãos dadas com a intolerância porque para uma mente intolerante, a nova informação é sempre vista como perigosa.

Novas descobertas assustam somente aqueles que não estão dispostos a mudar, e essa é a pessoa que nunca vai largar o Véu de Maya.

“Todas as religiões devem ser toleradas, pois cada um de nós tem o direito de ir para o céu à sua maneira.”

- Frederico, O Grande.

Até a próxima,

Lucca Moreira,

Co-Founder Insight Espresso

P.S: Me conte o que achou, se ficou confuso demais e suas opiniões sobre o tema. Esse é um modelo que ainda não havia testado, e estou pensando em incluir algo mais filosófico uma vez por mês, então preciso entender o que você achou.

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