- Insight Espresso
- Posts
- #039 - O paradoxo das decisões
#039 - O paradoxo das decisões
O paradoxo das decisões
Escute o áudio na insightespresso.com.br
Estamos também no spotify, youtube e amazon music.
Tempo de leitura: 6 minutos
O que vamos explorar hoje?
A composição do paradoxo das decisões;
O valor da incerteza e a sua importância;
Um reflexão sobre risco calculado.
Durante a minha vida, não tenho dúvidas de que um dos maiores, senão meu maior arrependimento, foi não ter estudado fora.
Desde novo idealizava sobre o famoso “college” americano, mas por falta de maturidade e, principalmente, de coragem, não tomei a decisão no momento necessário.
O arrependimento de não ter ido dói muito mais do que o arrependimento de ter ido e não gostado da experiência.
Isso é um fenômeno explicado por Kahneman, nas suas pesquisas ele entendeu que para o ser humano, a dor da inação é geralmente maior do que a dor da ação.
Isso porque nossa imaginação na inação fica livre e foca no que “poderia ter sido”, gerando a incerteza dos cenários infinitos.
Ele é o primeiro componente que forma o paradoxo que vamos refletir sobre na edição de hoje:
Nos arrependemos mais das coisas que não fazemos do que das coisas que fazemos.
Mas porque então não nos arriscamos sempre? Não perseguimos nossas vontades e damos o salto de confiança?
Aqui entra o segundo conceito que fecha o paradoxo das decisões humanas:
Sentimos mais a dor de uma perda do que valorizamos um ganho de mesma proporção, devido à nossa natureza mais conservadora.
A dor da perda…
Na minha profissão como analista de ações, isso sempre foi claro para mim.
Investir em uma ação e perder, por exemplo, 30% naquele investimento, me deixava muito mais chateado do que ganhar 30% em outra ação e ficar feliz.
No geral, a consciência do primeiro fator do paradoxo deveria nos impulsionar à ação, ao movimento, à tomada de riscos. Contudo, nossa natureza conservadora nos mantém alerta, conhecendo a possível dor de uma derrota e buscando evitá-la ao máximo.
Estamos o tempo inteiro, mesmo que inconscientemente, calculando probabilidades na nossa cabeça e tomando nossas decisões baseadas nelas.
Porém não somos seres completamente racionais e nossas emoções exercem papel muito importante nessas probabilidades.
Em decisões relevantes, o medo é uma das emoções mais presente, que muitas vezes nos faz paralisar ou “correr”.
O problema é que a paralisia, ou a fuga, são igualmente prejudiciais (ou até maior) a tomar uma decisão errada, porque a inação é em si uma decisão.
Nunca tive decidido que não estudaria fora, até o momento em que já havia finalizado a faculdade no Brasil, ou seja, a falta de uma decisão, de firmeza e de coragem, acabou se tornando uma decisão.
Provavelmente, o equilíbrio para “driblarmos” esse paradoxo está justamente no limiar entre nos desafiarmos a fazer mais, embarcar em incertezas e, ao mesmo tempo…
Buscarmos exaltar e enaltecer nossos feitos, acumulando capacidade e conhecimento para reduzir possíveis perdas no caminho, equilibrando a equação do sentimento de perda e ganho e gerando maior confiança na tomada de decisão.
From: the decision lab
O valor da incerteza
"A falta de certeza, na verdade, é o que dá valor a isso. Quando você está no caminho e tem a certeza de que alcançará o resultado, todo o mistério se desfaz e a emoção se perde. Se você soubesse que teria sucesso, não haveria sentido em começar. É justamente a incerteza no início que torna a jornada valiosa."
- Alex Hormozi
Essa mudança de ótica quanto ao risco é uma habilidade necessária para termos força para seguir adiante. Mesmo que tentemos ao máximo mitigar os riscos, eles sempre estarão lá.
Como um todo, apesar de termos alguns guias para seguir, não existe receita de bolo para viver uma vida plena e alcançar todos os nossos sonhos. Mas, se não tentarmos, nunca saberemos como poderia ter sido vivê-la.
O caminho do empreendedorismo, por exemplo, não nos dá um mapa e estamos aprendendo a navegar os mares despreparados, é um ambiente cheio de dúvidas e incertezas…
Mudanças de cidade ou país, onde muitas vezes não conhecemos mais ninguém e não estamos adaptados àquela cultura, podem parecer muito arriscadas e assustadoras…
O mesmo é válido para relacionamentos. É claro que, principalmente quem já passou por algum relacionamento traumático ou um término doloroso, pode haver um receio em se relacionar novamente, no entanto…
Não devemos deixar que esses medos vençam, afinal, como é prazeroso o processo de conhecer alguém a fundo e se envolver emocionalmente…
A sua empresa pode se tornar sua maior fonte de orgulho na vida…
Você pode se encontrar nessa nova cultura ou cidade, de uma forma que meses depois o pensamento seria: “como eu quase não vim pra cá?"
Risco calculado
“A avaliação de uma decisão não deve ser feita conforme o seu resultado. No entanto, é assim que as pessoas a avaliam. Uma boa decisão é aquela que é a mais adequada no momento em que é tomada, quando o futuro é, por definição, desconhecido. Assim, decisões corretas são frequentemente mal-sucedidas, e vice-versa.”
- Howard Marks
É claro que isso não quer dizer que o resultado não importa. Se você está acumulando resultados ruins na sua vida, provavelmente seu processo decisório não está bem ajustado.
Por outro lado, se você tem acumulado vitórias, provavelmente está sendo assertivo nas decisões.
Contudo, não devemos julgar uma decisão levando em conta somente o seu resultado, principalmente quando a maioria dos outros resultados da nossa vida estão na direção oposta.
Como você avaliaria a sua vida nesse sentido hoje?
O medo está te paralisando?
Ou, talvez, você está sendo inconsequente demais e tem tomado decisões precárias?
Até a próxima,
Arthur Mota,
Co-Founder Insight Espresso
Avalie o nosso conteúdo. Valorizamos muito a sua opinião!
Demora menos de 10 segundos para responder.